MWC 2022 aposta no 5G e na transmissão via satélite para telefonia móvel
Evento aconteceu em Barcelona, na Espanha, e marcou a volta dos eventos presenciais em grande porte

Por Tainara Rebelo, jornalista do conselho editorial da Top C – level

Depois de ter sido cancelado em 2020 por causa da pandemia de Covid-19, e acontecer de maneira tímida no ano passado, neste ano, a cidade de Barcelona, na Espanha, pôde dar as boas-vindas novamente ao Mobile World Congress (MWC), salão mundial da telefonia móvel. Considerado o maior evento da categoria no mundo, o MWC 2022 marcou a volta dos grandes eventos presenciais, e a expectativa é que muito outros aconteçam agora, com o avanço da vacinação e a consequente desaceleração do contágio pelo vírus.

O Consultor da Revista Top C-Level, Fernando Lopez Cisneros, Director Broadcast Business Development at Fernext, esteve presente no evento, que aconteceu de 28 de fevereiro a 3 de março,e contou um pouco mais sobre a volta da feira, destacando os pontos mais importantes abordados por lá. Para 2022, o evento teve seis pilares: o 5G, a Internet das Coisas, Inteligência Artificial, CloudNet, as fintechs e a internet horizontal. Confira a entrevista:

Top C-Level – Como foi a organização do evento? O que mais chamou a sua atenção como visitante?

Fernando Cisneros – Como visitante, o que mais me chamou a atenção foi a boa aceitação do público em usar máscara dentro do evento. Era obrigatório apresentar comprovante de vacinação e estar com uma máscara do modelo PFF2 cobrindo nariz e a boca para entrar e circular por lá, dando uma maior sensação de segurança. Tudo estava muito bem organizado. Mesmo com um público final três vezes maior que o do ano passado, o volume de pessoas ainda ficou aquém dos públicos absolutos das edições anteriores à pandemia. De acordo com a organização, 61 mil pessoas marcaram presença durante os três dias.

Top C-Level – O que foi pauta e qual o assunto mais relevante neste MWC?

Fernando Cisneros – O tema que considero mais relevante foi a transição do 5G para o 6G, pois muita gente do mercado ainda está pensando que não vai acontecer, que não vai pegar, mas o governo alemão, junto com algumas instituições, está pesquisando a fundo sobre isso. Outro assunto que foi tratado é o da tecnologia para fazer transmissão de conteúdo televisivo nos smartphones. Ou seja, meios de que o conteúdo deles seja implementado no smartphone diretamente. Isso certamente vai gerar muitas possibilidades de negócios. A Ateme falou muito sobre sistemas de compressão para vídeo, e a Intelsat levou o conceito de tecnologia em diferentes tipos de satélite, com infraestrutura de ponta a ponta, pensando no sucesso do cliente, cujo intuito é levar o sinal para áreas mais distantes –até então com limitação de alcance de sinal para transmissão.

Top C-Level – O que foi dito sobre a expectativa para o 5G no Brasil?

Fernando Cisneros – Uma das vantagens do 5G são os modelos de adaptação para as tecnologias 4G e LTE, barateando e simplificando a implantação do 5G. Essa conexão tem velocidade, latência e corresponde a um investimento promissor, acredito que não terão problemas para implementar no país. Entretanto, um dos desafios que não se fala muito no Brasil ainda é sobre é levar o sinal do 5G por satélite. Isso é bastante falado aqui e, num futuro bem próximo, vai romper muitas barreiras. Para o Brasil, que é um pais tão grande, quando isso estiver funcionando é realmente um passo muito grande para o desenvolvimento das telecomunicações.

Top C-Level – Qual tendência devemos ficar de olho para o mercado mobile?

Fernando Cisneros – Sem dúvidas, a transmissão do 5G por satélite por operadores de lowlevelorbit, que estão mais perto da atmosfera terrestre, com certeza será o método deutilização do 5G que vai romper os parâmetros normais, que ainda estão muito ligados às empresas de telecomunicações. Elas precisam comprar licença do governo, deixando custosa e complicada a implementação.Com o Low Earth Orbit, isso não precisa mais existir, não será preciso vender e comprar frequência, o sinal sobe para a frequência por satélite. Duas empresas, inclusive, já anunciaram que vão usar essa tecnologia: o novo telefone da Tesla –ElonMusk já tem uma série de satélites para essa comunicação – e empresas inglesas também já garantiram seus satélites para isso.A Apple é outra que também já anunciou uma versão de satélite para o Iphone 13, eles estão prontos para operar. Neste caso, os chips fazem a conectividade com o satélite.

Top C-Level – O que foi dito em relação aos impactos do 5G à indústria de mídia, entretenimento e broadcast?

Fernando Cisneros – Com a chegada do 5G, a transmissão sem dúvidas se torna um elemento diferencial na maneira de o usuário consumir mídia e entretenimento. Hoje, por exemplo, as pessoas vão ao estádio e podem transmitir os jogos e shows pelo celular, mas enfrentam problemas de conexão e atraso entre som e imagem em relação ao espetáculo original. Com o 5G vai melhorar muito. Uma das soluções da Ateme, por exemplo, é, o sistema de compressão VVC, que vai possibilitar transmitir muito material com maior velocidade, melhorando muito a experiência do usuário. Vai ser o caso de, em um show, se você está numa cadeira muito distante do palco, ser possível assistir ao evento com mais detalhes no seu smartphone, com quase nada de delay. Vai se criar uma nova forma de se ver eventos e assistir a jogos e notícias, e, consequentemente, novas possibilidades de mercado se abrem também.

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